terça-feira, 16 de agosto de 2011

2 Criação dos filhos


“A infidelidade do meu marido foi um grande baque”, conta Jane, na Grã-Bretanha. “Também fiquei arrasada por ele ter nos abandonado.” Jane se divorciou dele. Embora acredite ter tomado a decisão certa, ela admite: “Um desafio que enfrentei foi ter de ser a mãe e o pai dos meus filhos. Tive de tomar todas as decisões sozinha.”
Graciela, uma mãe divorciada na Espanha, passou por uma situação similar. “Fiquei com a guarda unilateral de meu filho de 16 anos”, diz ela. “Mas a adolescência é um período difícil, e eu estava mal preparada para criar meu filho sozinha. Passei dias e noites chorando. Eu me sentia uma péssima mãe.”
Aqueles que compartilham a guarda dos filhos enfrentam um outro problema — negociar com o ex-cônjuge assuntos delicados como visitas, pensão e disciplina dos filhos. Christine, uma mãe divorciada nos Estados Unidos, comenta: “Desenvolver um relacionamento de cooperação com seu ex-marido não é fácil. Há muitos sentimentos envolvidos e, se não tomar cuidado, você pode acabar usando seus filhos como um meio para tentar manipular a situação.”
O que pode acontecer: As decisões tomadas no tribunal referentes à guarda dos filhos talvez não sejam as que você gostaria. Se você compartilha a guarda, seu ex-cônjuge talvez não seja tão sensato como você gostaria nas questões já mencionadas, como visitas, pensão e assim por diante.

1 Problemas financeiros


Daniella, na Itália, estava casada havia 12 anos quando descobriu que seu marido estava tendo um caso com uma colega de trabalho. “Quando fiquei sabendo”, conta Daniella, “a mulher estava no sexto mês de gravidez”.
Depois de um tempo separados, Daniella resolveu se divorciar. “Eu tentei salvar o casamento, mas meu marido continuou me traindo.” Daniella acha que tomou a decisão correta. Mesmo assim, ela diz: “Assim que nos separamos, minha situação financeira ficou um caos. Às vezes, eu não tinha nem o que comer à noite, apenas bebia um copo de leite.”
Maria, na Espanha, passou por um revés similar. “Meu ex-marido não me dá nenhuma ajuda financeira”, conta ela, “e eu preciso trabalhar bastante para pagar as dívidas que ele deixou. Também tive de me mudar de uma casa confortável para um pequeno apartamento num lugar perigoso”.
Como esses casos mostram, quando um casamento acaba, geralmente são as mulheres que sofrem em sentido financeiro. De fato, um estudo europeu de sete anos revelou que a renda dos homens aumentou 11% depois do divórcio, ao passo que a renda das mulheres diminuiu 17%. Mieke Jansen, responsável pelo estudo, diz: “É difícil para algumas mulheres, porque elas precisam cuidar dos filhos, procurar um emprego e lidar com o trauma emocional do divórcio.” O jornal britânico The Daily Telegraph observou que, de acordo com alguns advogados, esses fatores estão “obrigando as pessoas a pensar duas vezes antes de se separar”.
O que pode acontecer: Se você se divorciar, talvez sua renda fique reduzida. Também pode ser que precise se mudar. Se ficar com a guarda dos filhos, pode ser difícil se sustentar e cuidar adequadamente das necessidades deles. — 1 Timóteo 5:8.

A Bíblia e o divórcio


A Bíblia não retrata o divórcio como um assunto de pouca importância. Ela diz que divorciar-se por motivos banais, talvez com o objetivo de se casar com outra pessoa, é algo traiçoeiro e odioso para Jeová Deus. (Malaquias 2:13-16) O casamento é uma união permanente. (Mateus 19:6) Muitos casamentos que foram desfeitos por motivos triviais poderiam ter sido salvos se marido e mulher tivessem sido mais perdoadores. — Mateus 18:21, 22.
Mas a Bíblia permite o divórcio e um novo casamento sob uma condição: relações sexuais fora do casamento. (Mateus 19:9) Assim, se seu cônjuge foi infiel, você tem o direito de terminar o casamento. Outras pessoas não devem influenciar você com suas opiniões, e não é o objetivo deste artigo lhe dizer o que fazer. Afinal, é você que terá de conviver com as consequências; então a decisão é sua. — Gálatas 6:5.
No entanto, a Bíblia declara: “O argucioso considera os seus passos.” (Provérbios 14:15) Assim, mesmo que tenha base bíblica para o divórcio, você deveria pensar seriamente nas consequências de se tomar essa decisão. (1 Coríntios 6:12) “Alguns talvez achem que devem tomar uma decisão rápida”, diz David, na Grã-Bretanha. “Mas, por eu mesmo ter me divorciado, posso dizer que é preciso tempo para avaliar tudo que está envolvido.”
Analisemos quatro assuntos importantes que merecem sua atenção. Ao fazer isso, note que nenhuma das pessoas divorciadas mencionadas aqui diz ter tomado uma decisão errada. Mas seus comentários destacam alguns dos desafios que muitas vezes aparecem meses ou até anos após o divórcio.

Quatro coisas que você precisa saber sobre o divórcio


Depois de avaliar os danos, os proprietários podem escolher demolir a casa ou recuperá-la.
ACHA que seu casamento está numa situação similar? Talvez seu cônjuge tenha traído sua confiança ou conflitos constantes tenham roubado a alegria de seu relacionamento. Se isso aconteceu, você talvez diga a si mesmo: ‘Não nos amamos mais’ ou ‘Simplesmente não fomos feitos um para o outro’ ou ainda ‘Não sabíamos o que estávamos fazendo quando nos casamos’. Pode ser que você até esteja pensando em se divorciar.
Antes de se precipitar em acabar com o casamento, pense bem. O divórcio nem sempre acaba com as ansiedades. Pelo contrário, muitas vezes apenas troca uma série de problemas por outra. Em seu livro The Good Enough Teen, sobre como criar filhos adolescentes, o Dr. Brad Sachs alerta: “Casais que estão se separando idealizam o divórcio perfeito — o conflito tempestuoso e sombrio sendo substituído repentina e permanentemente pela brisa refrescante e consoladora da serenidade e da cordialidade. Mas uma condição assim é tão ilusória quanto a ideia de um casamento perfeito.” Então, é importante estar bem informado e encarar o divórcio de forma realística.

Lidar com sogros


Isabel diz: A mãe de Roberto não fazia questão de esconder que não me aprovava. Mas meus pais também não tratavam Roberto muito melhor. Na verdade, eu nunca tinha visto eles serem tão rudes com alguém. Visitar os pais um do outro passou a ser uma tremenda provação para nós dois.
Roberto diz: Minha mãe achava que ninguém era bom o suficiente para seus filhos, por isso desde o início ela via defeitos em Isabel. E os pais de Isabel faziam o mesmo comigo — sempre me criticavam. O problema é que depois que isso acontecia, eu e Isabel começávamos a defender nossos pais e a criticar um ao outro.
OS CONFLITOS com sogros talvez deem um bom repertório para comediantes, mas na vida real não é nada engraçado. “Durante anos, minha sogra interferiu em nosso casamento”, diz Reena, uma esposa na Índia. “Muitas vezes, extravasei minha raiva em meu marido porque não podia fazer isso com a mãe dele. Era como se ele tivesse sempre de escolher entre ser um bom marido e um bom filho.”
Por que alguns pais interferem na vida de seus filhos casados? Isabel, mencionada no início, sugere um motivo: “Pode ser difícil para eles ver alguém jovem e inexperiente passar a ter a responsabilidade de cuidar de seu filho ou filha.” Dilip, marido de Reena, vai mais longe. “Pais que criaram seus filhos com sacrifício talvez se sintam colocados de lado”, diz ele. “Também podem estar realmente preocupados por achar que seu filho, ou filha, não tem sabedoria para tornar o casamento bem-sucedido.”
Falando com franqueza, às vezes os sogros são convidados a interferir. Veja, por exemplo, o caso de Michael e Leanne, um casal na Austrália. “Leanne veio de uma família bem achegada em que todos falam abertamente dos assuntos”, diz Michael. “Então, depois de nos casarmos, ela consultava o pai para falar de assuntos que na verdade cabia a mim e a ela decidir. Seu pai até tinha muita coisa para nos ensinar, mas eu ficava magoado por Leanne o consultar em vez de consultar a mim.”
Fica claro que problemas com sogros podem causar estresse no casamento. Isso acontece no seu caso? Como você se dá com os pais de seu cônjuge, e como ele se dá com os seus? Considere dois desafios que podem surgir e o que você pode fazer.
DESAFIO 1: Seu cônjuge parece ser apegado demais aos pais. “Minha esposa achava que se não morássemos perto de seus pais, ela estaria sendo desleal com eles”, diz um marido na Espanha chamado Luis. “Por outro lado”, acrescenta ele, “quando nosso filho nasceu, meus pais vinham nos visitar quase todos os dias, o que deixava minha esposa estressada. Isso causou muitos conflitos entre nós”.
O ponto em questão: Ao descrever o casamento, a Bíblia diz que quando um homem se casa ele ‘deixa seu pai e sua mãe, e tem de se apegar à sua esposa, e eles têm de se tornar uma só carne’. (Gênesis 2:24) Ser “uma só carne” é mais do que simplesmente morar juntos. Na verdade, significa que o marido e a esposa formam uma nova família — família essa que tem prioridade sobre suas famílias de origem. (1 Coríntios 11:3) É claro que tanto o marido como a esposa ainda precisam honrar seus pais, e isso muitas vezes envolve dar atenção a eles. (Efésios 6:2) Mas e se seu cônjuge cumpre essa responsabilidade de uma maneira que parece que ele ignora ou negligencia você?
O que você pode fazer: Analise a situação de modo objetivo. Seu cônjuge é mesmo apegado demais aos pais, ou será que você simplesmente não tem o mesmo tipo de relacionamento com seus pais? Se esse for o caso, de que modo a forma como foi criado está influenciando a maneira como você encara a situação? Será que não está um pouco enciumado? — Provérbios 14:30; 1 Coríntios 13:4; Gálatas 5:26.
Não dá para ter a resposta a essas perguntas sem fazer uma autoanálise honesta. Mas é importante fazer isso. Afinal, se você e seu cônjuge estão sempre brigando por causa dos sogros, então o que vocês realmente têm é um problema no casamento e não um problema com sogros.
Muitos conflitos no casamento surgem por não haver duas pessoas que tenham exatamente o mesmo ponto de vista sobre um assunto. Você pode se esforçar para ver as coisas do ponto de vista de seu cônjuge? (Filipenses 2:4; 4:5) Foi isso o que um marido no México chamado Adrián fez. “Minha esposa foi criada num ambiente familiar negativo”, diz ele, “por isso eu evitava conviver com meus sogros. Com o tempo, cortei todo tipo de convívio com eles — por anos. Isso causou conflitos em nosso casamento porque minha esposa ainda queria estar perto da família, especialmente da mãe”.
Mais tarde, Adrián adotou uma posição mais equilibrada. “Embora eu saiba que ter contato demais com os meus sogros afeta minha esposa emocionalmente, não ter contato nenhum também causa problemas”, diz ele. “Na medida do possível, tentei restabelecer e manter um bom relacionamento com meus sogros.”
TENTE O SEGUINTE: Coloque por escrito o que você e seu cônjuge acreditam ser a dificuldade principal a respeito de seus sogros. Se possível, comece com “Eu sinto que . . . ” Depois troquem os papéis. Juntos, num espírito de equipe, pensem bem em como podem lidar com as preocupações um do outro.
DESAFIO 2: Seus sogros interferem constantemente em seu casamento, dando conselhos que vocês não pediram. “Nos primeiros sete anos de casados, moramos com a família de meu marido”, disse uma esposa no Cazaquistão chamada Nelya. “Sempre tínhamos conflitos sobre como criar nossos filhos e sobre outros assuntos, como o modo de eu cozinhar e limpar a casa. Falei com meu marido e com minha sogra sobre isso, o que só levou a mais conflitos.”
O ponto em questão: Quando você se casa, não está mais sob a autoridade de seus pais. Em vez disso, a Bíblia diz que “a cabeça de todo homem é o Cristo; por sua vez, a cabeça da mulher é o homem” — ou seja, o marido dela. (1 Coríntios 11:3) No entanto, como já mencionado, tanto o marido como a esposa devem honrar os pais. De fato, Provérbios 23:22 declara: “Escuta teu pai que causou o teu nascimento e não desprezes a tua mãe só porque ela envelheceu.” Mas o que fazer se seus pais — ou os pais de seu cônjuge — passam dos limites e tentam impor suas ideias?
O que você pode fazer: Num espírito de empatia, tente descobrir o motivo por trás dessa aparente intromissão. “Em alguns casos os pais precisam saber que ainda são importantes na vida dos filhos”, diz Roberto, já citado. Essa interferência talvez não seja proposital, e é possível lidar com isso aplicando o conselho bíblico de ‘continuar a suportar uns aos outros e a perdoar uns aos outros liberalmente, se alguém tiver razão para queixa contra outro’. (Colossenses 3:13) Mas e se a interferência de seus sogros aumentar a ponto de causar conflitos entre você e seu cônjuge?
Alguns casais aprenderam a estabelecer limites apropriados. Isso não significa que você precisa impor uma série de regras a seus pais. Muitas vezes, é apenas uma questão de deixar claro por meio de suas ações que seu cônjuge vem em primeiro lugar em sua vida. Por exemplo, um marido no Japão chamado Masayuki diz: “Mesmo que os pais expressem suas opiniões, não concorde de imediato com eles. Lembre-se de que você está construindo uma nova unidade familiar. Então, procure saber primeiro o que seu cônjuge pensa do conselho recebido.”
TENTE O SEGUINTE: Fale com seu cônjuge sobre de que maneira específica a interferência dos pais está causando conflito em seu casamento. Juntos, escrevam que limites vocês podem estabelecer e como mantê-los sem deixar de honrar os pais.
Muitos conflitos com seus sogros podem ser minimizados se vocês discernirem a motivação deles e não permitirem que esses conflitos causem tensão em seu casamento. A esse respeito, Isabel admite: “Às vezes, as discussões com meu marido sobre nossos pais eram em grande parte baseadas na emoção, e ficava claro que falar sobre as imperfeições de nossos sogros podia magoar muito. Com o tempo, deixamos de usar as imperfeições deles como arma para atacar um ao outro e aprendemos a lidar com o problema. Em resultado disso nos achegamos muito mais como marido e mulher.”